

Promover uma Campanha Nacional de defesa de um regime de Aposentação dos Professores, que tenha em conta o elevado desgaste provocado pelo exercício continuado da profissão; realizar, de 2 a 4 de junho, uma Consulta Nacional aos Professores e Educadores, com votação nas escolas, para apurar a posição dos profissionais em relação à municipalização da Educação; e convocar uma Manifestação de Professores, Educadores e Investigadores para dia 20 de junho, um sábado, em Lisboa, são três das decisões tomadas pela Plataforma Sindical Docente e anunciadas em conferência de imprensa realizada esta tarde na passada sexta-feira (15 de maio). A Plataforma apresentou e comentou, perante os jornalistas, o documento (em anexo) que reúne as conclusões essenciais da reunião que juntou oito organizações sindicais.
A Plataforma lembra em primeiro lugar que "a Educação perdeu mais de 3.200 Milhões de euros ao longo desta Legislatura", acrescentando:
"As escolas públicas perderam mais de 20% dos seus docentes durante estes 4 anos. As consequências estão à vista:
Dando um panorama da situação que se vive atualmente nas escolas portuguesas, a Plataforma regista:
"Os professores, para além das aulas, desenvolvem atividades de apoio aos alunos, são responsáveis por atividades de enriquecimento curricular, acompanham salas de estudo, coadjuvam colegas do mesmo e de outros setores de ensino, asseguram substituições, garantem serviço de tutoria, são quem permanece nos gabinetes de receção e apoio a alunos na sequência de situações de indisciplina, participam em inúmeras reuniões com as mais diversas finalidades, são-lhes atribuídas inúmeras tarefas de ordem burocrática."
"Como se tudo isto não bastasse", refere ainda a Plataforma Sindical, "são ainda chamados a vigiar os seus colegas que se sujeitam à PACC e são pressionados para garantirem serviços diversos, como, por exemplo, o que resulta do protocolo do MEC com a Cambridge…"
Graves situações
Tudo isto acontece, prossegue a Plataforma, "num contexto de agravamento das condições de trabalho", marcado por um conjunto de graves situações, que os sindicatos resumem assim:
"Tudo isto acontece numa escola cada vez mais orientada para os conhecimentos e o treino de capacidades, de onde estão a ser afastados os tempos para a formação cívica dos alunos e os espaços para o trabalho cooperativo dos professores", como alerta a tomada de posição sindical.
Desgaste físico, psicológico
e emocional dos professores
A Plataforma alerta ainda:
"Hoje, há um tremendo desgaste físico, psicológico e emocional dos professores que provoca desânimo e frustração (recordou-se aqui um recente estudo da Universidade do Minho). Procuram os professores superar esse seu sentimento transformando a sala de aula num refúgio, mas os limites estão prestes a ser atingidos."
Para tal contribuem ainda as permanentes pressões e ameaças a que estão sujeitos:
"E não se referiram aqui outras situações, reais e não menos importantes, relacionadas com emprego, carreiras e salários. Recorda-se que os docentes e investigadores estão com as carreiras bloqueadas pelo quinto ano consecutivo, têm os seus salários reduzidos devido aos violentos cortes, milhares de docentes vivem situações de grande precariedade e risco de desemprego", refere o documento sindical.
"O papel social dos professores"
"Os professores são fundamentais nas escolas", sublinhou a Plataforma, ao abordar "o papel social dos professores", que "é determinante". Como se lê no documento divulgado aos jornalistas pela Plataforma Sindical, "é aos professores que os pais confiam os seus filhos durante boa parte do dia, contando com eles para ensinarem e também contribuírem para a sua Educação. Como tal, os pais, que exigem o melhor para os seus filhos, querem também que os seus professores sejam os melhores e isso não se obtém a PACC ou com a demagogia das contratações locais."
"Consegue-se, sim, com exigência na formação de professores, com garantia de estabilidade no exercício da docência e com carreiras que reflitam a inegável importância da profissão. Estes têm sido aspetos que, de forma deliberada, os últimos governos têm descurado."
"Não podemos ficar
de braços cruzados!"
Neste mar de dificuldades e ataques, "estamos todos no mesmo barco"..
"Estes problemas", destaca a Plataforma, "são comuns aos professores das escolas públicas, escolas privadas, escolas de ensino artístico, escolas profissionais, bem como a todos os profissionais docentes, sejam da Educação Pré-Escolar, do Ensino Básico, Secundário ou Superior, incluindo os Leitores das Universidades Portuguesas e ainda aos Investigadores. Estes problemas abatem-se sobre os professores que exercem atividade dentro do país, continente e regiões autónomas, mas também aos que trabalham no Ensino Português no Estrangeiro e nas Escolas Portuguesas situadas em Maputo, Luanda ou Díli." O Secretário Geral da FENPROF lembrou aqui também a luta dos professores do ensino português na Suiça contra a desvalorização salarial.
"Face aos problemas que os professores, educadores e investigadores estão a viver, pondo em causa as suas condições de trabalho (fator fundamental para as condições de aprendizagem dos alunos), prejudicando a qualidade do ensino e da educação e desrespeitando, até, preceitos constitucionais que garantem a todos os portugueses uma Escola Pública de qualidade, democrática, para todos e inclusiva, não poderemos ficar de braços cruzados à espera que os problemas se resolvam por si, correndo o risco de ser imposto o sentido contrário ao que se defende", acrescenta a Plataforma.
Decisões e orientações
No sentido de contribuir para a inversão da atual situação – e porque, estando a atual Legislatura a terminar, é importante que todos os candidatos às próximas eleições oiçam as posições dos Professores – a Plataforma Sindical, na sequência das reuniões que tem vindo a desenvolver, decidiu: