ASPL considera um enorme retrocesso os requisitos fixados que conferem habilitação para a docência

Analisando o Despacho n.º 10914-A/2022, publicado ontem, a Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL) considera um enorme retrocesso os requisitos agora exigidos nas habilitações para a docência.
 
Com a publicação deste diploma, a partir deste ano letivo, 2022/23, poderemos ter nas nossas escolas, a exercer a função de professor, alunos que tenham concluído a sua licenciatura de 3 anos ou ainda estejam a fazer o seu mestrado de 2 anos, sem que tenham qualquer formação pedagógica e didática!
 
Este recuar nas exigências habilitacionais e qualificações dos nossos professores põem em causa um Ensino de qualidade, tão fulcral ao desenvolvimento de qualquer sociedade ou país.
 
Para se ter uma ideia mais precisa do que isto significa, a ASPL analisou os requisitos para se poder lecionar no grupo de Economia e Contabilidade e no de Matemática, para os quais, assim como para a Filosofia, a História, Geografia, entre outros, se exige 120 créditos (ECTS).
 
Atente-se que até agora, para se poder lecionar nessas e noutras disciplinas, os professores tinham de ser profissionalizados nessas respetivas áreas, ou, então, terem habilitação própria!
 
A ASPL questiona: é isto que se quer na educação e no ensino, no nosso país, que tanto precisa de elevar as suas qualificações?
 
Se acontecesse algo do género na área da saúde, teríamos os utentes revoltados e a fugirem para onde lhes garantissem cuidados prestados por médicos, enfermeiros e outros profissionais com as qualificações necessárias; como é na Educação e no Ensino, infelizmente, nada ouvimos da parte daqueles que deviam zelar pela qualidade do serviço que é prestado nas escolas!
 
Se o problema está na falta de professores, e este é, sem dúvida, um dos principais problemas do setor, entende a ASPL que devia o Governo e os agentes políticos cuidarem de tratar de dar condições aos que estão no sistema, assim como àqueles que o tiveram de deixar por nele não terem lugar/colocação, procurando atrair jovens que queiram enveredar em cursos via ensino/educação, para que não faltassem profissionais qualificados. Mas não, ao contrário, faz baixar abruptamente as qualificações, a fim de ter como professores alunos que ainda há três anos saíram dos bancos da escolaridade obrigatória! Péssima forma de iniciar um novo ano letivo, no século XXI!

Comunicado ASPL_9/9/2022