A Direção Nacional da ASPL repudia as falsidades constantes no Relatório da OCDE divulgadas pela comunicação social

A Direção Nacional da ASPL lamenta e repudia as falsidades/dados incorretos constantes no Relatório da OCDE, porquanto, quer no que respeita aos vencimentos, quer aos horários de trabalho, os dados divulgados não correspondem à realidade dos factos e da vida dos professores e educadores portugueses!
 
É aviltante o propalar de um conjunto de informações falsas que têm vindo a ocorrer nos últimos tempos sobre a classe docente!
 
Foi a notícia das baixas médicas “fraudulentas” (sem o enquadramento devido), o provável descalabro das contas públicas que a exigência dos professores relativa à contagem do tempo de serviço congelado causaria, os seus horários de trabalho e, agora, a afirmação de que vencem acima daquilo que ganham os demais trabalhadores com qualificações equiparadas!
 
Não sabemos que mais poderá vir!
 
É preciso dizer a verdade!
 
O governo não só é incapaz de fornecer os dados necessários às negociações com os professores, exigidos pelos sindicatos, como erra nas contas que fez e que forneceu aos sindicatos, em fevereiro/março, a propósito do custo do descongelamento, como também parece ser incapaz de fornecer à OCDE os dados corretos sobre quanto ganham e que tempo de serviço têm os docentes em cada escalão. Se não forneceu os dados, pelo menos que, depois de publicados, venha dizer alguma coisa sobre o assunto, dado tratar-se de matéria da sua responsabilidade: as condições de trabalho dos professores e educadores que exercem no Ensino e na Educação públicos!
Relativamente aos horários de trabalho, também desconhecemos em que realidade, professores ou escolas se baseou a OCDE para chegar às conclusões que apresenta; certamente, não foi na realidade vivida pelos professores portugueses, pois essa aponta para uma grande sobrecarga horária!
 
Consideramos que tudo isto é de muito mau gosto e os professores e educadores portugueses que representamos exigem que quem os tutela diligencie junto da OCDE pela correcção dos dados e pela reposição da verdade! É o mínimo que se exige!
 
Não podemos continuar a aceitar tanta incompetência e falta de consideração, por parte de quem deveria trabalhar para a criação de condições de valorização e motivação da classe docente, assim como para a melhoria do sistema de educação e de ensino, no nosso país. Não basta o Senhor Primeiro Ministro afirmar publicamente, como ainda ontem fez, que o sucesso escolar depende de professores motivados; impõe-se a efetivação de condições para essa motivação; e certamente, não é a falta de cumprimento da Lei (artº 19º da Lei do Orçamento de Estado), dos compromissos assumidos ou das resoluções da Assembleia da República, nem informações como aquelas a que temos assistido ultimamente que permitirão essa motivação, permitindo a Portugal alterar a sua posição no que concerne às qualificações dos portugueses, como também é evidenciado no Relatório da OCDE.
 
Lisboa, 12 de setembro de 2018.