Posição da ASPL sobre alguma informação infudada relativa aos sindicatos da Plataforma

 
Caros colegas associados da ASPL,
 
Apesar de sentir toda a compreensão e confiança manifestadas por vós na minha pessoa e na Direção da ASPL, que muito conforta e estimula, não posso calar a minha indignação e tristeza relativamente às calúnias e mentiras que têm sido propaladas contra os sindicatos da plataforma e os seus dirigentes!
Não me revejo nem revejo o trabalho feito pelos sindicatos da plataforma nessas críticas sem fundamento: não terminamos as lutas para irmos de férias, não traímos os professores, pois não cedemos nem abdicamos das reivindicações essenciais da classe, designadamente dos 9 anos, 4 meses e 2 dias!
Importa lembrar que 93,8% dos 53.000 professores auscultados foram de opinião que as greves deviam ser suspensas se o Ministérios voltasse às negociações. Não respeitar esta posição é que seria trair os professores!
Podemos discordar da decisão dos sindicatos e dos 53.000 colegas professores auscultados, mas ninguém tem o direito de difamar os colegas que nos representam, insistindo na divulgação de mentiras e calúnias!
Estive presente na reunião do passado dia 11 de julho, assim como estive presente na longa reunião de 17 para 18 de novembro passado, como tenho estado presente em todas as demais reuniões que se realizaram entre o Ministério da Educação e os Sindicatos, e o que tenho visto e ouvido, por parte dos sindicatos, são posições firmes, claras e fundamentadas, em defesa da classe docente, contra um muro de incompreensão, desconhecimento e prepotência, por parte de quem tutela a educação.
Nesta última reunião, o que posso testemunhar é que todas as organizações sindicais da plataforma e os dirigentes que intervieram, nos quais me incluo, para além de exigirem ao ME o cumprimento do compromisso assumido em novembro passado, afirmaram que não estão disponíveis para participar em nenhuma comissão técnica ou outra qualquer reunião ou grupo de trabalho que não tenha como objetivo inquestionável a recuperação de todo o tempo de serviço prestado pelos professores; estão sim disponíveis para negociar os prazos e o modo de recuperar os 9 anos, 4 meses e 2 dias, mas não para ceder um dia que seja desse tempo de serviço!
Acrescentaram que participarão na dita comissão, agora proposta pelo ME, se aquilo que nela se vier apurar servir apenas para melhor sustentar o calendário do faseamento dos impactos financeiros da recuperação integral do tempo de serviço, mas não para retirar um dia que seja a essa recuperação integral.
Voltaram a insistir com o ME na necessidade urgente de serem dadas orientações claras às direções das escolas e agrupamentos, no sentido de os horários dos professores serem elaborados de forma a não se ultrapassarem as 35 horas fixadas na lei,sobretudo devido às reuniões intermináveis que caiem no “saco sem fundo” da componente individual de trabalho dos docentes!
Reiteraram ao ME o seu grito de alerta e até de desespero pela situação vivida nas escolas por milhares de colegas que já não aguentam mais o ambiente stressante e as duríssimas condições de trabalho, com o aumento contínuo das infindáveis exigências burocráticas que lhes retiram tempo e capacidades para ensinarem e educarem as crianças e os jovens nos tão exigentes contextos hodiernos!
Podia dar mais exemplos, mas penso que quando o ME nos facultar a ata desta reunião, os colegas, que se importam com a verdade e desejam saber o que de facto se passou, a possam ler e ver com os seus próprios olhos e não se deixem levar pelo que alguns querem fazer crer!
É triste que em vez de unirmos esforços e vontades em torno daquilo que nos é comum: a exigência e a defesa da contagem do tempo de serviço prestado e a melhoria das péssimas condições de trabalho, assim como a necessária valorização profissional, nos concentremos na crítica sem fundamento, na calúnia e na mentira!
Assim, colegas, é fácil de ver que quem fica a rir é quem tanto nos tem maltratado e a quem convém dividir para melhor reinar! A decisão é nossa e as consequências das nossas opções também o são!
A ASPL sempre consigo, designadamente na luta pelo respeito e valorização que são devidas à profissão docente!
Grata, envio a cada um dos nossos associados as nossas cordiais saudações sindicais e pessoais.
 
Lisboa, 17 de julho de 2018.
 
A Presidente da Direção Nacional da ASPL,
Maria de Fátima Ferreira