Presidente da ASPL dirige Carta Aberta ao Senhor Primeiro-Ministro

Governo enaltece o uso da aplicação STAYAWAY COVID e
negligencia os casos positivos de COVID-19, nas escolas!

 

A ASPL – Associação Sindical de Professores Licenciados não compreende como pode o Governo dar tanto ênfase à utilização da aplicação STAYAWAY COVID e tratar com tanta ligeireza as situações de Covid-19 nas escolas.
 
Nesse sentido, em Carta Aberta, dirigida ao Senhor Primeiro-Ministro, a Presidente da ASPL solicita que da parte do Governo se dê mais atenção à estratégia de prevenção e mitigação da pandemia da Covid-19, nas escolas, pois considera que estas são também fundamentais para se conseguir inverter os elevados números de casos positivos registados no país, nos últimos tempos.
 
Nesta Carta Aberta, a Presidente daASPL recordou ao Senhor Primeiro-Ministro que, desde que foram emitidas as primeiras orientações para a abertura e funcionamento do presente ano escolar, esta organização sindical fez saber às entidades competentes que as mesmas eram insuficientes, tendo apresentado ao Ministério da Educação, ao longo dos meses de julho e setembro, os seus contributos e alertas para uma série de situações e omissões que careciam de esclarecimentos e melhorias.
 
Apesar de todo o esforço da comunidade educativa, designadamente dos professores, para que as regras estabelecidas pelas entidades competentes sejam escrupulosamente cumpridas, verifica-se uma falta de informação e de uniformidade relativamente ao tratamento dado aos casos detetados e confirmados como positivos para a COVID-19 e aos seus contactos mais próximos – alunos da turma, professores e assistentes operacionais que com eles contactaram.
 
Referindo, nesta missiva, a aplicação STAYAWAY COVID, como uma ferramenta útil para identificar potenciais exposições a pessoas infetadas com Covid-19, procurando-se, dessa forma, quebrar as cadeias de transmissão, a ASPL entende, por outro lado, que faria todo o sentido e seria mais fácil e eficaz testar também alunos, professores e assistentes operacionais que, em cada escola, estiveram em contacto com casos positivos. De salientar, que nas escolas os alunos estão organizados por turma e por espaços atribuídos, o que facilita a respetiva identificação.
 
Contudo, de acordo com informação de vários docentes associados, raramente se adota o procedimento de testar os envolvidos, no mínimo os elementos da mesma turma. O procedimento habitual cinge-se a testar apenas os alunos que estão sentados mais próximos(ao lado, e imediatamente à frente e atrás) dos que testaram positivo, como se nos intervalos, nos corredores, à saída e à entrada da escola, não contactassem com os demais colegas da turma, no mínimo!
 
A agravar esta situação negligente do Governo, está o facto de as autoridades de saúde não estarem a recomendar não só a testagem, como a prescrição de isolamento profilático, continuando alunos, professores e assistentes operacionais que estiveram em contacto com casos positivos, a frequentar a escola, como se nada tivesse acontecido!
 
A ASPL apela, por isso, a que da parte do Governo haja uma maior consideração e valorização dos professores e educadores, pois, como pode ler-se nesta Carta Aberta, “nos últimos anos as condições de trabalho destes profissionais deterioraram-se acentuadamente, a par do aumento exponencial das exigências que a sociedade faz à escola, e para que o sistema educativo português não colapsasse, os docentes trabalharam e trabalham muito mais horas do que aquelas que lhes são pagas e se encontram fixadas nos seus horários de 35 horas semanais; compram, do seu bolso, e sem qualquer tipo de apoio ou possibilidade de deduções fiscais, material informático e de escritório, e livros para exercer a sua profissão”.
 
 
 
 
Lisboa, 16 de outubro de 2020
Atenciosamente,
O Departamento de Informação e Comunicação da ASPL
 
Comunicado ASPL - Carta Aberta ao Primeiro-Ministro (pdf)
 
 
Notícia JORNAL ECONÓMICO: 

Associação Sindical de Professores acusa Governo de negligenciar os casos positivos de COVID-19 nas escolas